Incoterms: o que são, quais são e como escolher na importação

março 24, 2026 10h45 Maringá, PR, BR

O ramo da importação é cheio de regras, estratégias e decisões que impactam diretamente a margem do seu negócio. Entre elas, estão os Incoterms.

Muitos empresários focam apenas no valor negociado com o fornecedor e deixam em segundo plano as condições de entrega. É justamente aí que começam os problemas: custos inesperados, conflitos contratuais e riscos que poderiam ter sido evitados com uma decisão mais estratégica.

Na prática, a escolha do Incoterm pode influenciar diretamente o custo final da sua importação, a segurança da operação e até a previsibilidade da sua logística.

Se você já importa ou está estruturando sua primeira operação internacional, entender como os Incoterms funcionam é essencial para proteger sua margem e profissionalizar sua gestão no comércio exterior.

👉 Para conhecer todos os Incoterms e aprender como escolher o mais adequado para a sua operação, continue a leitura!

O que são Incoterms?

Incoterms são regras internacionais que definem as responsabilidades entre comprador e vendedor em uma operação de comércio exterior. Em outras palavras, são eles que determinam até onde vai a obrigação do fornecedor e a partir de que ponto a responsabilidade passa a ser sua.
O termo vem de International Commercial Terms (Termos Internacionais de Comércio) e foi criado pela Câmara de Comércio Internacional (ICC), em 1936, com o objetivo de padronizar negociações globais e reduzir conflitos relacionados a custos, riscos e etapas do transporte internacional.
Hoje, os Incoterms são adotados globalmente como a principal referência para definir regras nas negociações internacionais. Eles criam uma linguagem comum entre empresas de diferentes países, facilitando acordos e reduzindo ruídos na comunicação.
Antes dessa padronização, cada país — e muitas vezes cada empresa — interpretava de forma diferente quem deveria pagar o frete, contratar o seguro ou assumir eventuais danos à carga. O resultado eram disputas comerciais, atrasos e prejuízos.
Mas é importante entender um ponto: os Incoterms não são leis impostas por um órgão internacional, elas passam a ter força jurídica quando são incluídos no contrato de compra e venda.
Para acompanhar a evolução do mercado global, essas regras são revisadas a cada 10 anos. A versão mais recente é a Incoterms® 2020, atualmente em vigor e aplicada nas operações internacionais.

Qual é a função dos Incoterms?

A função dos Incoterms é estabelecer regras claras sobre custos, riscos e responsabilidades na importação e exportação.

Eles funcionam como uma ferramenta essencial de gestão estratégica, porque ajudam o empresário a entender exatamente até onde vai a responsabilidade do fornecedor e a partir de que ponto a operação passa a ser sua.

Na prática, esses termos são utilizados em:

  • Contratos internacionais
  • Faturas comerciais
  • Negociações com fornecedores
  • Operações de transporte internacional
  • Processos de logística e desembaraço

Também influenciam diretamente processos logísticos e etapas como o desembaraço aduaneiro, já que determinam quem deve arcar com cada custo ao longo da operação.

É importante reforçar que os Incoterms não tratam de forma de pagamento, transferência de propriedade da mercadoria ou questões cambiais. O foco está na logística e na divisão objetiva de responsabilidades.

Quando bem aplicados, trazem previsibilidade, reduzem conflitos e evitam custos inesperados — algo essencial para quem busca escala e eficiência no comércio exterior.

Quais são os Incoterms 2020?

Os Incoterms® 2020 são 11 regras padronizadas pela Câmara de Comércio Internacional, são eles: EXW, FCA, FAS, FOB, CFR, CIF, CPT, CIP, DAP, DPU e DDP.
Esses termos estão organizados em grupos e podem ser aplicados a diferentes modais.
Entender essa divisão ajuda o empresário a visualizar com clareza até onde vai o compromisso do fornecedor e onde começam as responsabilidades da sua empresa.

Vamos analisar cada grupo e entender o diferencial de cada um.

Quais são os grupos dos Incoterms e os modais de transporte?

Os Incoterms estão organizados em quatro grupos (E, F, C e D) que indicam o nível de responsabilidade do exportador ao longo da operação logística. Além disso, cada termo pode ser aplicado a um tipo específico de transporte:

  • Multimodais (envios aéreo, rodoviário, marítimo ou ferroviário): EXW, FCA, CPT, CIP, DAP, DPU e DDP. Permitem maior flexibilidade na operação e podem ser escolhidos de acordo com o perfil da carga, a estratégia logística e a estrutura do importador.
  • Exclusivos do transporte marítimo (aquaviário): FAS, FOB, CFR e CIF. Utilizados apenas quando o transporte principal ocorre por navio.

👉 A seguir, entenda cada grupo e quando ele é mais utilizado na prática.

Grupo E – Saída

É o grupo de menor responsabilidade para o vendedor, o termo incluído é o:

  • EXW (Ex Works - Na Origem): o fornecedor apenas disponibiliza a carga em seu próprio estabelecimento. A partir desse momento, todos os custos, riscos, transporte e desembaraço passam a ser responsabilidade do comprador. É uma modalidade que exige estrutura logística bem organizada por parte do importador.

Grupo F – Transporte principal não pago pelo exportador

Aqui, o vendedor entrega a mercadoria a um transportador indicado pelo comprador, mas não assume o frete internacional. Ele é composto por três termos:

  • FCA (Free Carrier): o vendedor entrega a carga, já desembaraçada para exportação, ao transportador no local combinado.
  • FAS (Free Alongside Ship): A mercadoria é entregue ao lado do navio no porto de embarque.
  • FOB (Free On Board): a responsabilidade é transferida quando a carga é colocada a bordo do navio. É um dos termos mais utilizados na importação da China por quem quer controle do frete.

Grupo C – Transporte principal pago pelo exportador

Neste grupo, o vendedor paga o frete internacional, mas o risco é transferido ainda na origem.

  • CFR (Cost and Freight): exclusivo para transporte marítimo. O vendedor paga o frete até o destino, porém o risco passa ao comprador no embarque.
  • CIF (Cost, Insurance and Freight): semelhante ao CFR, mas inclui a contratação de seguro pelo exportador.
  • CPT (Carriage Paid To): multimodal. O transporte é pago até o destino acordado, mas o risco transfere na origem.
  • CIP (Carriage and Insurance Paid To): aplicável a diferentes modais, semelhante ao CPT, porém com seguro obrigatório contratado pelo vendedor.

Grupo D – Entrega

É o grupo de maior responsabilidade para o exportador, que assume custos e riscos até o destino.

  • DAP (Delivered at Place): a carga é entregue no local combinado, pronta para descarga.
  • DPU (Delivered at Place Unloaded): além de entregar, o vendedor também realiza a descarga no destino.
  • DDP (Delivered Duty Paid): praticamente toda a operação fica sob responsabilidade do exportador, incluindo impostos e desembaraço de importação no país de destino. É um termo que exige atenção redobrada, especialmente em operações no Brasil.

Quais são os Incoterms mais comuns (e o mais complexo)?

No Brasil, os incoterms mais comuns são FOB e CIF, principalmente em importações via transporte marítimo, já que ambos envolvem a transferência de risco no porto de origem — ponto que impacta diretamente a gestão logística e o controle da operação.

Já o DDP (Delivered Duty Paid) é considerado o Incoterm mais complexo, pois atribui ao exportador praticamente todas as responsabilidades — incluindo impostos, desembaraço aduaneiro e entrega no destino final.

Em operações com destino ao Brasil, esse termo exige atenção redobrada devido à complexidade tributária e às exigências legais do país.

Como escolher o Incoterm ideal para sua importação?

A escolha do Incoterm impacta diretamente seus custos, riscos e nível de controle sobre a operação. Não é apenas uma cláusula contratual — é uma decisão estratégica. Para definir o termo mais adequado, considere os seguintes pontos:

1. Analise todos os custos envolvidos

É comum olhar apenas para o valor do produto na negociação, mas o Incoterm define muito mais do que isso como frete internacional, seguro, taxas portuárias, armazenagem, desembaraço aduaneiro, transporte interno e possíveis custos extras devem ser considerados no cálculo final da operação.

Um termo aparentemente mais barato pode transferir despesas e responsabilidades que, no fim, tornam a importação mais cara do que o previsto. Faça sempre uma análise completa do custo total (landed cost).

2. Avalie seu nível de controle logístico

Cada Incoterm determina até onde vai a responsabilidade do exportador e a partir de qual ponto o importador assume a operação. Se sua empresa possui estrutura, experiência e parceiros logísticos consolidados, pode fazer sentido assumir maior controle da cadeia.
Por outro lado, se você ainda não tem familiaridade com o processo ou quer reduzir a complexidade operacional, optar por um termo em que o fornecedor assume mais etapas pode trazer mais segurança.

3. Considere sua experiência com importação

Empresas iniciantes tendem a preferir termos que oferecem mais previsibilidade e menos exposição a riscos. Já importadores mais experientes podem negociar condições que aumentem sua margem e controlem melhor prazos e custos.

O importante é alinhar o Incoterm ao seu nível de maturidade no comércio exterior.

4. Avalie os riscos envolvidos na operação

Cada etapa da logística internacional envolve riscos: avarias, extravios, atrasos e imprevistos alfandegários, com isso entender em qual ponto o risco é transferido para sua empresa é essencial para evitar surpresas.
Além disso, verifique sempre a contratação de seguro internacional quando a responsabilidade for sua.

5. Conte com assessoria especializada

Se houver dúvidas sobre qual termo utilizar, contar com uma assessoria em comércio exterior faz toda a diferença na segurança e na rentabilidade da operação.

Um parceiro especializado acompanha cada etapa do processo, orienta na negociação com o fornecedor, esclarece responsabilidades previstas no termo escolhido, informa onde a carga está, quando deve chegar e antecipa possíveis riscos ou custos extras.

A Voxy Trade possui expertise para orientar sua empresa na definição do Incoterm mais adequado, garantindo segurança contratual, previsibilidade logística e proteção da sua margem.

❌ Erros comuns na escolha dos Incoterms

Na prática, muitos erros na escolha dos Incoterms acontecem por falta de informação ou por decisões baseadas apenas no preço do produto, sem considerar o impacto logístico, operacional e tributário do Incoterm escolhido.

Para evitar problemas na sua importação, é importante entender os erros mais comuns:

1. Escolher apenas pelo preço do fornecedor

Um valor de produto mais baixo pode parecer vantajoso à primeira vista. Porém, dependendo do Incoterm, diversos custos podem ser transferidos ao importador.

2. Não entender onde o risco é transferido

Cada Incoterm define exatamente o ponto em que o risco sobre a mercadoria deixa de ser do exportador e passa a ser do importador.

Se ocorrer avaria, perda ou extravio após esse ponto, a responsabilidade será de quem assumiu o risco. Não compreender essa etapa pode gerar prejuízos significativos.

3. Ignorar custos logísticos que não aparecem na negociação inicial

Além do frete principal, existem diversas despesas envolvidas na cadeia logística: THC, capatazia, armazenagem, taxas administrativas, transporte interno, entre outras.

Quando esses custos não são considerados na análise do Incoterm, a margem da operação pode ser comprometida.

4. Não contratar seguro adequado

Dependendo do termo escolhido, a obrigação de contratar o seguro internacional pode ser do importador.
Operar sem cobertura adequada significa assumir integralmente possíveis prejuízos em caso de sinistro. O seguro não deve ser visto como custo extra, mas como proteção financeira da operação.

5. Utilizar DDP sem avaliar a complexidade tributária brasileira

Embora o DDP pareça simplificar o processo, no Brasil ele pode gerar desafios fiscais e operacionais relevantes.
Questões como recolhimento de tributos, habilitação no Radar e responsabilidades legais precisam ser analisadas com cautela antes de optar por esse termo.

6. Não formalizar corretamente o Incoterm no contrato

O Incoterm deve estar claramente especificado no contrato, incluindo a versão vigente (ex: Incoterms® 2020) e o local exato de aplicação.
A falta de formalização adequada pode gerar interpretações divergentes, conflitos comerciais e insegurança jurídica.
A escolha do Incoterm deve ser estratégica, não automática. Quanto maior o entendimento sobre responsabilidades, custos e riscos, maior a previsibilidade e a segurança da sua operação de importação.


Com planejamento e assessoria especializada, sua empresa reduz riscos, melhora a gestão logística e ganha previsibilidade nas operações internacionais.

Na Voxy Trade, ajudamos empresários a estruturar negociações com fornecedores globais — especialmente na China — com estratégia, transparência e foco no resultado.
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